Pecadores do Olimpo
domingo, 26 de setembro de 2010
the puzzle
...e é como se, de repente, eu visse as peças do puzzle se juntarem. Mas o fato de todas elas se encaixarem, não quer dizer que o mesmo esteja completo. Falta alguém que o olhe e veja o que eu vejo e não consigo decifrar. Alguém que seja Eu e seja o Outro ao mesmo tempo. Alguém que, sem saber quem ser, será.
domingo, 19 de setembro de 2010
O Outono e as Leis do Tempo.
Talvez por estar na primavera da vida, no auge da minha juventude, numa idade em que, supostamente, tudo posso e tudo conseguirei, tenha pensado tanto na velhice. Talvez por saber que o meu corpo é mais jovem do que a minha alma, tenha vindo a dar mais atenção ao lado espiritual da vida. Não sei, talvez por ser alguém extremamente consciente da passagem do tempo, sinta medo dele. De não aproveitá-lo como é suposto ser. Ao mesmo tempo em que desejo que ele pare, quero que ele avance o mais rapidamente possível. Quero que o tempo passe, ficando. Desejo que, dentro de mim, os mortos renasçam. Não me importo de me tornar num cemitério de lápides frias. Almejo que os caixões se abram para que eu possa, finalmente, abraçar aqueles a quem a vida não deu outra hipótese, senão a morte.
Não são raras as vezes em que precisamos morrer para sabermos que estamos vivos. Às vezes, me pergunto quantas vezes fui cadáver dentro de alguém. Em quantas lápides escreveram o meu nome. Quais foram os epitáfios inventados em minha homenagem. Quem esteve presente nos meus enterros. Às vezes, paro para me perguntar qual é a minha percentagem de vida perante a iminência da morte. Se tenho algum número pincelado na testa. Se sim, quantos me restam.
Não tenho medo de morrer. Sofro é com a minha impotência perante a morte de quem estimo. Nada mudaria na minha vida para além de preencher os dias vazios, perdidos, desperdiçados. Se pudesse, tornaria a sofrer pelas mesmas razões, pois o sofrimento é uma daquelas poucas coisas que são realmente nossas. Ninguém sofre o nosso sofrimento. Ninguém sente a nossa dor. Ninguém é capaz de avaliar se sofremos pouco ou muito, para além de nós mesmos.
Das nossas dores restam as chagas, e elas servem para nos lembrarmos de não esquecermos as dores que nossa alma sentiu. E eu acho isso extremamente importante. Devemos lembrar dos momentos felizes, mas sem esquecer dos nossos pesares. Devemos comemorar a nossa vitória, mas sem esquecer os caminhos tortuosos pelos quais nos perdemos. Devemos nos orgulhar de nós mesmos, mas sendo humildes. Devemos nos lembrar sempre que o sofrimento não é castigo nem punição, mas um meio.
Sempre achei o Outono a estação mais bonita do ano. Aquela que me traz uma sensação de sossego e aconchego que as outras estações não me proporcionam. As folhas secas darão lugar à outras verdes, amarelas, plenas. E é exatamente isso que acontece conosco. O Outono representa a velhice, o amadurecimento, o tempo, a experiência. Admiráveis são aqueles que passam por todas as suas estações existenciais. Aqueles que enfrentam suas tempestades sem se deixarem submergir. Os que não se cortam em seus espinhos, e os que não se congelam entre os mantos de neve que, por sua vez, se derretem ao aproximar do verão.
Admiráveis os que sobrevivem após a morte e, desafiando as leis do tempo, permanecem intactos no nosso coração. Quero que os caixões se abram dentro de mim.
Não são raras as vezes em que precisamos morrer para sabermos que estamos vivos. Às vezes, me pergunto quantas vezes fui cadáver dentro de alguém. Em quantas lápides escreveram o meu nome. Quais foram os epitáfios inventados em minha homenagem. Quem esteve presente nos meus enterros. Às vezes, paro para me perguntar qual é a minha percentagem de vida perante a iminência da morte. Se tenho algum número pincelado na testa. Se sim, quantos me restam.
Não tenho medo de morrer. Sofro é com a minha impotência perante a morte de quem estimo. Nada mudaria na minha vida para além de preencher os dias vazios, perdidos, desperdiçados. Se pudesse, tornaria a sofrer pelas mesmas razões, pois o sofrimento é uma daquelas poucas coisas que são realmente nossas. Ninguém sofre o nosso sofrimento. Ninguém sente a nossa dor. Ninguém é capaz de avaliar se sofremos pouco ou muito, para além de nós mesmos.
Das nossas dores restam as chagas, e elas servem para nos lembrarmos de não esquecermos as dores que nossa alma sentiu. E eu acho isso extremamente importante. Devemos lembrar dos momentos felizes, mas sem esquecer dos nossos pesares. Devemos comemorar a nossa vitória, mas sem esquecer os caminhos tortuosos pelos quais nos perdemos. Devemos nos orgulhar de nós mesmos, mas sendo humildes. Devemos nos lembrar sempre que o sofrimento não é castigo nem punição, mas um meio.
Sempre achei o Outono a estação mais bonita do ano. Aquela que me traz uma sensação de sossego e aconchego que as outras estações não me proporcionam. As folhas secas darão lugar à outras verdes, amarelas, plenas. E é exatamente isso que acontece conosco. O Outono representa a velhice, o amadurecimento, o tempo, a experiência. Admiráveis são aqueles que passam por todas as suas estações existenciais. Aqueles que enfrentam suas tempestades sem se deixarem submergir. Os que não se cortam em seus espinhos, e os que não se congelam entre os mantos de neve que, por sua vez, se derretem ao aproximar do verão.
Admiráveis os que sobrevivem após a morte e, desafiando as leis do tempo, permanecem intactos no nosso coração. Quero que os caixões se abram dentro de mim.
sábado, 18 de setembro de 2010
" O único compromisso que tenho é com o meu descompromisso."
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Um dia, larguei a minha carcaça numa esquina qualquer e passei a deambular, passear sem rumo certo por aí. Foi um ano assim, e tudo passou tão rápido que eu já não nem me lembro mais.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Está escrito? Onde?
Vira e mexe, me perguntam se eu acredito no destino ou no acaso. Aí, antes de eu responder, costumo indagar esta mesma pessoa de que diferença faz se, por exemplo, uma desgraça acontece por acaso, ou se já estava programada a acontecer. A desgraça é a mesma, com as mesmas proporções, não muda nada.
Se nós nos conhecemos, foi porque existiu uma determinada situação antecedida por inúmeras outras situações que nos levaram um ao encontro do outro. E estas mesmas situações aconteceram por acaso? Estava tudo programado? Isso ninguém pode afirmar com veemência. Mas não consigo pôr de lado o meu livre-arbítrio.
É óbvio que não temos o total controle sobre a nossa vida, e isso deve-se às influências exteriores que acabam por nos impingir a agirmos de determinada maneira, a modificarmos determinados caminhos, a mudarmos de opinião. O ser humano, felizmente, é maleável. Adapta-se com relativa facilidade às mudanças que sofre dentro de si mesmo. É mutável. Para mim, é muito difícil acreditar que o homem com toda a sua complexidade seja capaz de mudar, mas não o seu destino. Quando a vida transmuta-se para outra realidade, tudo o que nela se encontre supostamente determinado, tem que mudar também. Mas essa mudança já se encontrava destinada a acontecer? "Estava escrito?". I don't know, eu só sei que já acreditei mais no destino.
Se nós nos conhecemos, foi porque existiu uma determinada situação antecedida por inúmeras outras situações que nos levaram um ao encontro do outro. E estas mesmas situações aconteceram por acaso? Estava tudo programado? Isso ninguém pode afirmar com veemência. Mas não consigo pôr de lado o meu livre-arbítrio.
É óbvio que não temos o total controle sobre a nossa vida, e isso deve-se às influências exteriores que acabam por nos impingir a agirmos de determinada maneira, a modificarmos determinados caminhos, a mudarmos de opinião. O ser humano, felizmente, é maleável. Adapta-se com relativa facilidade às mudanças que sofre dentro de si mesmo. É mutável. Para mim, é muito difícil acreditar que o homem com toda a sua complexidade seja capaz de mudar, mas não o seu destino. Quando a vida transmuta-se para outra realidade, tudo o que nela se encontre supostamente determinado, tem que mudar também. Mas essa mudança já se encontrava destinada a acontecer? "Estava escrito?". I don't know, eu só sei que já acreditei mais no destino.
Deus é um ET, nós as ovelhas e a Terra o seu Disco Voador.
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Eu sei que foi uma atitude horrível, mas, para mim, foi a minha maneira de me sentir liberta das regras que hoje considero absurdas. Permaneci com a idéia de que era católica até aos meus 16 anos, idade em que comecei realmente a questionar e, conseqüentemente, a me libertar das garras desta comunidade religiosa que, ao meu ver, é uma afronta à inteligência humana.
Quando, finalmente, concluí que não era católica, percebi que não era mais nada, e que o fato de não sermos religiosos, não nos impossibilita de termos fé. Não sei de onde tiraram essa idéia de que quem tem fé, tem que ter fé em Deus. Era só o que me faltava! Eu tenho fé em mim, nas minhas capacidades, decisões, nos meus sonhos e vontades. Tenho fé na vida (e no mundo[?]), caso contrário, já teria metido uma bala na cabeça há muito tempo!
Não é que eu não acredite em Deus, ou em qualquer outro ser superior. Simplesmente não vivo em função de algo que nunca vi! Tal como eu não vivo em função dos alienígenas, apesar de crer na possibilidade da existência de vida fora do Planeta Terra. Além do mais, é bem provável que exista algo, afinal, já se foi provado a existência de elementos propícios à existência de algum tipo de vida noutros planetas. Creio mais na existência dos ET's do que na de Deus.
Quando eu era pequena, rezava. Acendia velas. Ajoelhava. Fazia o sinal da cruz. Desenhava Jesus Cristo. Participava de algumas missas do colégio... Olhando para trás, eu não me recordo de qual foi a última vez que rezei um Pai-Nosso. Mas o que isso importa? Rezar ou não rezar, para mim, não faz a menor diferença. Deixei de o fazer, porque passei a sentir que estava falando sozinha. Porque deixou de fazer sentido, e quando uma oração deixa de fazer sentido, é porque ela deixou de ser interiorizada e passou a ser apenas palavras.
Hoje em dia, a coisa mais religiosa que faço, é conversar com o meu avô paterno, falecido em 2008. E isso não tem nada a ver com religião, mas com a fé que sinto de que ele está por perto. É algo que, ao contrário do Pai-Nosso, me reconforta, pois ele existiu e dentro de mim continuará existindo.
Posto isto, resta-me sublinhar que o homem é livre para acreditar no que bem entender, mas é mais livre ainda para deixar de acreditar, rever seus valores, mudar de opinião. Não tenho nada contra quem seja de algum grupo religioso, o que me irrita é a falta de questionamento por parte dos crentes/fiéis. A grande maioria não pensa por si mesma: lêem a p*rra da Bíblia, a p*rra do alcorão ou a p*rra do Torá, e fazem daquilo que está lá escrito ( que, só para deixar claro, foi escrito por homens e não por algum "deus superior") o seu modo de vida! Não se questionam, não confrontam, não querem saber a razão de determinada "regra" ser assim e não de outra maneira! Acabam, por fim, por se formar infinitos rebanhos de criaturas fanáticas guiadas por outras criaturas superiores - por sua vez, ainda mais fanáticas e, porque não, corruptas - que não se atrevem a mudar o curso das suas vidas porque simplesmente não têm vida! Não sabem pensar, tampouco tomar a rédea dos seus destinos. Enfim: a cada dia que passa, creio ainda mais que a Religião sim, é um dos maiores tumores da humanidade.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Eleições, Votos Nulos e a Burrice Recorrente!
Políticos: para mim, todos farinha do mesmo saco. O problema é que o saco, devido ao peso, está roto, e os políticos que nele entram, saem ainda piores do que quando entraram.
Não defendo nenhum partido, não sou da esquerda, nem da direita, nem da traseira, nem da dianteira, nem coisa alguma. Voto porque sou contra àqueles que não o fazem. Quem não vota, ou vota nulo, não tem o direito de reclamar. Quem não vota e pensa que ao não votar estará a contribuir positivamente, muito se engana. Quem não vota, contribui para que o outro vença. Mesmo que não se goste de nenhum, mesmo que se tenha consciência de que não vão cumprir 1/3 daquilo que prometeram, tente encontrar um menos pior para votar. Um que te agrade minimamente - se isso for realmente possível.
Esta é a única maneira de não seres responsável pela permanência no poder do mesmo partido merdoso; É, também, a única forma de sentires que realmente fizeste algo de bom para o teu país. Verás que, no auge das discussões das massas, serás uns dos poucos que poderão orgulhosamente vociferar:
Não defendo nenhum partido, não sou da esquerda, nem da direita, nem da traseira, nem da dianteira, nem coisa alguma. Voto porque sou contra àqueles que não o fazem. Quem não vota, ou vota nulo, não tem o direito de reclamar. Quem não vota e pensa que ao não votar estará a contribuir positivamente, muito se engana. Quem não vota, contribui para que o outro vença. Mesmo que não se goste de nenhum, mesmo que se tenha consciência de que não vão cumprir 1/3 daquilo que prometeram, tente encontrar um menos pior para votar. Um que te agrade minimamente - se isso for realmente possível.
Esta é a única maneira de não seres responsável pela permanência no poder do mesmo partido merdoso; É, também, a única forma de sentires que realmente fizeste algo de bom para o teu país. Verás que, no auge das discussões das massas, serás uns dos poucos que poderão orgulhosamente vociferar:
- EU NÃO DEI O MEU VOTO À ELE!
E depois é só mandares todo o mundo para o inferno, porque para quem atola na merda uma vez: É acidente. Quem atola duas: É desastrado. Mas quem atola três: É BURRO!
Aos impacientes, o meu coração.
A paciência é uma virtude...que não tenho. Ser impaciente é ser inquieto. É ter os sistema nervoso literalmente...nervoso. É querer lançar-se do 23º andar, porque o elevador é muito lento. E é lançar-se de cabeça nos seus abismos emocionais e esquecer-se lá dentro. Ser impaciente é estar constantemente insatisfeito com o ciclo da natural da vida, ou seja, é querer adiantar o tempo, acelerar os ponteiros do relógio para, enfim, alcançar aquilo que pretende. Posto isto, concluo que a pessoa impaciente é o carrasco dela mesma e, na maioria das vezes, não se apercebe. Sofre desnecessariamente, se desrespeita ao permitir que a ansiedade se apodere do seu bom-senso. Eu sou a pessoa mais impaciente que conheço, e a minha impaciência não é domesticada, é animalesca, selvagem. É o principal predador daquilo que resta de minha paciência. Logo, ainda não sou capaz de controlá-la. Mesmo enjaulada, ela mete medo. E não são raras as vezes em que ela se liberta e, por sua vez, enclausura-me em seu obscurantismo.
Não vejo vantagem alguma em ser impaciente, para além de seus efeitos colaterais nos alertarem quando nos encontramos impacientes demais. E estes sinais são: aceleração dos batimentos cardíacos, tremores nas pálpebras inferiores, mãos suadas, inquietação, alienação em relação ao resto do mundo, náuseas, disenterias, dores musculares, insônia, pesadelos, irritabilidade, vontade de esfaquear o ursinho de pelúcia ("peluche" - pt. Pt.) até a morte, falta ou excesso de apetite e conseqüente descida ou subida acentuada de peso, sensibilidade extrema, tendência ao masoquismo, entre outros.
Em conclusão, apesar de todos os "contras" em se ser impaciente, penso que quem é paciente/paciente demais, é uma pessoa muito chata e monótona, e isso é algo extremamente irritante para os desprovidos de paciência. Eu seria irritante para mim mesma se, de repente, me torna-se num Buda ( apesar de adorar a sua figura). Se hoje me sinto acorrentada por não ser capaz de fazer avançar o tempo e mudar determinadas situações, caso, de repente, me tornasse em algum ser divino dotado de toda a paciência do mundo, penso que, ainda assim, bem no âmago do meu ser, seria como se me tivessem cortado os membros e me dilacerado a carne que me reveste. A impaciência é a minha natureza, e eu gosto dela, mesmo que para isso tenha que regurgitar mil vezes, durante mil dias seguidos, o mesmo coração.
Não vejo vantagem alguma em ser impaciente, para além de seus efeitos colaterais nos alertarem quando nos encontramos impacientes demais. E estes sinais são: aceleração dos batimentos cardíacos, tremores nas pálpebras inferiores, mãos suadas, inquietação, alienação em relação ao resto do mundo, náuseas, disenterias, dores musculares, insônia, pesadelos, irritabilidade, vontade de esfaquear o ursinho de pelúcia ("peluche" - pt. Pt.) até a morte, falta ou excesso de apetite e conseqüente descida ou subida acentuada de peso, sensibilidade extrema, tendência ao masoquismo, entre outros.
Em conclusão, apesar de todos os "contras" em se ser impaciente, penso que quem é paciente/paciente demais, é uma pessoa muito chata e monótona, e isso é algo extremamente irritante para os desprovidos de paciência. Eu seria irritante para mim mesma se, de repente, me torna-se num Buda ( apesar de adorar a sua figura). Se hoje me sinto acorrentada por não ser capaz de fazer avançar o tempo e mudar determinadas situações, caso, de repente, me tornasse em algum ser divino dotado de toda a paciência do mundo, penso que, ainda assim, bem no âmago do meu ser, seria como se me tivessem cortado os membros e me dilacerado a carne que me reveste. A impaciência é a minha natureza, e eu gosto dela, mesmo que para isso tenha que regurgitar mil vezes, durante mil dias seguidos, o mesmo coração.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Cegueira Branca
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A mesma luz que me ilumina, me cega. E hoje enxergo as coisas com uma cegueira iluminada. Uma cegueira branca que me tenta a retornar para a sombra da gruta. Não sei se é a luz que me ofusca os olhos, ou se são os meus olhos que iluminam a escuridão. Sei que todos dormem, e eu estou aqui, piscando feito uma lâmpada, esperando o sono vir.
domingo, 5 de setembro de 2010
Aqueles que vão.
Grande parte das pessoas que passam pelas nossas vidas são perfeitamente dispensáveis. Outras, são aquelas que assemelham-se às peças de roupa: rasgam, encolhem, descolorem, tornam-se enjoativas e, por fim, não nos servem mais. As pessoas dispensáveis são aquelas que não se destacam entre a multidão. São aquelas que surgem por um curto período de tempo e desaparecem sem nós nos darmos conta. As outras, são aquelas que surgiram, ficaram e, por diversas razões, foram desaparecendo do nosso quotidiano. Desapareceram do quotidiano mas não de nós. São aquelas pessoas que ficaram, mesmo indo. Tenho pensado nelas nestes últimos tempos. Observado minuciosamente os vestígios que deixaram em mim; me indagado o porquê de terem descolorido e, principalmente, a razão de eu nada ter feito para que as suas cores não se desbotassem. Talvez tenham sido os meus olhos a perderem a cor. Talvez eles se tenham desbotado perante o arco-íris das auras. Talvez as pessoas tenham permanecido intactas e imóveis, e eu é que tenha ido embora. Que tenha rasgado e encolhido. Talvez.
Frequentemente, um dos nossos maiores problemas é o de darmos as pessoas como garantidas. Não devíamos, até porque nós não somos a garantia de nada. Mas damos, porque sentimos a necessidade de possuirmos algo. Precisamos de garantias, de certezas, de perpetuidades. Precisamos mostrar a nós mesmos que somos capazes de ter alguém para sempre. Mas o que é o para sempre senão uma fracção de segundos? O quê é o eterno perante uma eternidade esgotável, limitada naquele pequeno espaço de tempo que julgamos ser imortal? Se fôssemos eternos, duraríamos por quanto tempo?
Exigimos dos outros aquilo que não encontramos, ou até desistimos de encontrar, em nós. Exigimos que os outros partilhem connosco o melhor que existe dentro deles, e ainda assim, muitas vezes, não é o suficiente para que as cores não se desbotem. Mas o que é que nós nos exigimos perante o outro e, principalmente, diante de nós mesmos? Que esforço fazemos para não perdermos o outro de vista? Não é difícil nos acomodarmos, cruzarmos os braços justamente por estarmos convictos de que aquilo que a vida nos oferece é nosso. Não é incomum tornarmo-nos sedentários e ignorarmos a arte de valorizar o próximo, até porque a sociedade tem evidenciado a sua desvalorização através de seus falsos valores e atitudes.
O que a vida oferece é um determinado número de oportunidades que, não sendo aproveitadas, desaparecem. Nada é nosso. Nós nos pertencemos até um determinado ponto e, ainda assim, não é uma raridade não assumirmos tamanha responsabilidade. As pessoas vão porque quem permanece sem elas não possui a arte de fazê-las ficar. No fundo, sou grata por nada durar para sempre, pois a nossa eternidade implicaria a perpetuidade daquilo que hoje somos. Não é raro tornar-se raro encontrar alguém que saiba (con)viver consigo mesmo durante toda a sua vida, sem se perder, sem desbotar, sem que os seus olhos se tornem opacos diante do seu reflexo. Uma coisa é certa: as pessoas que ficam, são aquelas que estão indo. Fiquemos nós, então, indo com elas. Na eternidade ou não, não desenlacemos as mãos.
Frequentemente, um dos nossos maiores problemas é o de darmos as pessoas como garantidas. Não devíamos, até porque nós não somos a garantia de nada. Mas damos, porque sentimos a necessidade de possuirmos algo. Precisamos de garantias, de certezas, de perpetuidades. Precisamos mostrar a nós mesmos que somos capazes de ter alguém para sempre. Mas o que é o para sempre senão uma fracção de segundos? O quê é o eterno perante uma eternidade esgotável, limitada naquele pequeno espaço de tempo que julgamos ser imortal? Se fôssemos eternos, duraríamos por quanto tempo?
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| pearl_piper |
O que a vida oferece é um determinado número de oportunidades que, não sendo aproveitadas, desaparecem. Nada é nosso. Nós nos pertencemos até um determinado ponto e, ainda assim, não é uma raridade não assumirmos tamanha responsabilidade. As pessoas vão porque quem permanece sem elas não possui a arte de fazê-las ficar. No fundo, sou grata por nada durar para sempre, pois a nossa eternidade implicaria a perpetuidade daquilo que hoje somos. Não é raro tornar-se raro encontrar alguém que saiba (con)viver consigo mesmo durante toda a sua vida, sem se perder, sem desbotar, sem que os seus olhos se tornem opacos diante do seu reflexo. Uma coisa é certa: as pessoas que ficam, são aquelas que estão indo. Fiquemos nós, então, indo com elas. Na eternidade ou não, não desenlacemos as mãos.
Introdução:
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| Créditos: Janice Siegel, 1995 |
Aos que por aqui passarem, vejo-me na obrigação de esclarecer que este blog não passará de um espaço descompromissado, pertencente a alguém que sente prazer em escrever aquilo que pensa e sente, mesmo correndo o risco de se contradizer simultâneamente. Ao contrário do que alguns pensam, não tenho o complexo da superioridade e não acho que escreva melhor do que ninguém. Apenas procuro colocar tudo de mim no pouco que faço, e talvez seja exactamente esse o meu problema.
Julgo ser de extrema importância referir que, devido ao descompromisso de sua autora, este blog não terá um tema específico pelo facto de eu crer que a definição exacta das coisas as delimita, fazendo com que as coisas se tornem menores do que realmente são. E de pequeno já basta o espírito humano que, por sua vez, em contraste com os avanços tecnológicos, tem se tornado diminuto.
Por falar em «humano» e em «espírito», creio também ser essencial fazer menção à minha incessante busca pelo entendimento do nosso comportamento como seres sociais, como cidadãos activos dentro de uma comunidade tantas vezes traída pela sua bipolaridade, como também como seres únicos, separados da matilha e vulneráveis aos nossos enxames cognitivos e emocionais.
Por fim, almejo deixar claro que não pretendo fazer com que concordem com aquilo que penso, e que igualmente julgar-me-ei no direito de não concordar com o que possa vir a ser afirmado. No entanto, estarei sempre aberta às novas ideias, sugestões e opiniões desde que sejam devidamente fundamentadas pelos seus autores. Não busco audiências, nem ovações. Procuro apenas uma maneira de me exorcisar; de reciclar o meu «lixo mental», depositando cada um deles no seu devido ecoponto. Escrever, para mim, é lavar a alma com lixívia. Me desinfectar fazendo com que a minha alma retome a sua brancura natural de modo a eu poder enxergar com nitidez o que outrora se escondia detrás do manto negro do meu Ser.
Aos que por aqui passarem, sejam bem-vindos.
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