terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aos impacientes, o meu coração.

A paciência é uma virtude...que não tenho. Ser impaciente é ser inquieto. É ter os sistema nervoso literalmente...nervoso. É querer lançar-se do 23º andar, porque o elevador é muito lento. E é lançar-se de cabeça nos seus abismos emocionais e esquecer-se lá dentro. Ser impaciente é estar constantemente insatisfeito com o ciclo da natural da vida, ou seja, é querer adiantar o tempo, acelerar os ponteiros do relógio para, enfim, alcançar aquilo que pretende. Posto isto, concluo que a pessoa impaciente é o carrasco dela mesma e, na maioria das vezes, não se apercebe. Sofre desnecessariamente, se desrespeita ao permitir que a ansiedade se apodere do seu bom-senso. Eu sou a pessoa mais impaciente que conheço, e a minha impaciência não é domesticada, é animalesca, selvagem. É o principal predador daquilo que resta de minha paciência. Logo, ainda não sou capaz de controlá-la. Mesmo enjaulada, ela mete medo. E não são raras as vezes em que ela se liberta e, por sua vez, enclausura-me em seu obscurantismo.
Não vejo vantagem alguma em ser impaciente, para além de seus efeitos colaterais nos alertarem quando nos encontramos impacientes demais. E estes sinais são: aceleração dos batimentos cardíacos, tremores nas pálpebras inferiores, mãos suadas, inquietação, alienação em relação ao resto do mundo, náuseas, disenterias, dores musculares, insônia, pesadelos, irritabilidade, vontade de esfaquear o ursinho de pelúcia ("peluche" - pt. Pt.) até a morte, falta ou excesso de apetite e conseqüente descida ou subida acentuada de peso, sensibilidade extrema, tendência ao masoquismo, entre outros.
Em conclusão, apesar de todos os "contras" em se ser impaciente, penso que quem é paciente/paciente demais, é uma pessoa muito chata e monótona, e isso é algo extremamente irritante para os desprovidos de paciência. Eu seria irritante para mim mesma se, de repente, me torna-se num Buda ( apesar de adorar a sua figura). Se hoje me sinto acorrentada por não ser capaz de fazer avançar o tempo e mudar determinadas situações, caso, de repente, me tornasse em algum ser divino dotado de toda a paciência do mundo, penso que, ainda assim, bem no âmago do meu ser, seria como se me tivessem cortado os membros e me dilacerado a carne que me reveste. A impaciência é a minha natureza, e eu gosto dela, mesmo que para isso tenha que regurgitar mil vezes, durante mil dias seguidos, o mesmo coração.

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